O “quase fim”...
É engraçado começar a escrever a respeito do quase fim. Parece meio mórbido, sei lá! Escutando Cat’s in the Cadle na voz de Harry Chapin (que confesso, nunca ouvi falar do artista) vou indo no que estas linhas me guiam. Penso em falar em meu relacionamento com meu filho, mas isso fica em um momento oportuno. Falar dele requer inspiração e no momento o que menos tenho é isso.
Hoje vivo um período de decisões. Decisões difíceis! Mãe precisando de ajuda, um novo trabalho, relação amorosa que está desmoronando, uma nova casa, como ajudar da melhor forma meu filho e ainda tem o dia a dia do meu trabalho. Nossa! Quanta coisa para pensar!!!
Quando falo do “quase fim”, é porque é o fim que está próximo que nunca se aproxima. Me sinto como aquele cavalinho que leva a carroça, que tem a cenoura na frente para comer mas nunca chega porque esta cenoura em questão está fixa a frente. Parece meio doido isso mas fazer o que...SOU DOIDO!
Vou falar do hoje, sem esquecer que o amanhã está para chegar e que prever o futuro não adianta. Viver o presente trará consequências para o futuro dependendo dos frutos plantados.
Hoje...Hoje...Hoje...
O hoje só existe porque existiu o ontem e espera que o amanhã chegue. Por mais que demore, o hoje surge na sua frente como uma onda em um mar calmo que sem mais nem menos, com um vento Sudoeste (na praia, quando surfava, boas ondas surgiam com este vento) cresce e você tem que estar disposto ao risco. Risco de enfrentá-la e se arrasar ou de ser feliz e deslizar nela.
A vida é como se fosse um mar. Você pode viver uma vida tranquila e sem riscos ou então viver uma vida com tormentas e provações. Não entendeu? Vou contar a metáfora dos mares da vida. Primeiro falarei do mar calmo.
Em um mar calmo, você pode nadar a vontade sem se preocupar com nada. Não tem ondas, nem desafios. Você simplesmente está no mar, se bronzeia, se refresca e aproveita o melhor que aquela condição te permite.
Já em um mar revolto, difícil, você está sempre nadando contra a corrente. Buscando atingir o “outside” (ir para trás da arrebentação, onde as ondas quebram) para atingir a tranquilidade. Você rema, toma na cabeça mas vai com a certeza de chegar no objetivo.
Na vida você pode escolher por qual mar remar! O calmo ou o “nervoso”. E sabe qual prefiro? O “nervoso”! No mar revolto você se prepara para as adversidades e seja lá o que apareça na sua frente, você tem a disposição de enfrentar e saber como sair com cabeça erguida da situação à frente. Ao contrário do mar calmo, onde você está frente a calmaria e quando surge uma pequena onda que acaba com qualquer estrutura e você fica sem chão.
Indecisões surgem, é normal! Mas estar preparado para as adversidades pode te levar para caminhos que sequer desconhece.
Não tenho a mínima ideia se este texto irá chegar aos olhos de alguém, confesso que estou escrevendo o que vem a minha mente, sem me preocupar com nada e nem com ninguém. Escrever me faz bem, já que não tenho terapeuta, meu terapeuta pessoal é a palavra que coloco aqui, nestas linhas que vem, uma após outra formando o que posso dizer que é um texto.
Mas vamos ao que interessa... Vamos ao “terapeuta das palavras”...
Hoje estou vivendo um dos períodos mais difíceis da minha vida.
No meu trabalho não tenho a certeza de continuar, contrato acabando e sem saber ao certo para onde “atirar” para ter uma nova labuta. Para completar, as pessoas que supervisiono não valorizam o trabalho que tem ou então querem por que querem puxar o meu tapete. Preciso ser forte, ter uma “boa espada e um bom escudo” para me defender das armadilhas dos que armam contra mim. Infelizmente ambiente de trabalho é assim. Uns crescem pela capacidade, outros pela desonestidade. Lançarei um breve histórico do meu trabalho. Entrei sem conhecer ninguém, sem bajular ninguém. Com tempo, paciência e dedicação conquistei meu espaço e em 2 meses fui promovido para o cargo que estou até o presente momento. Esta semana recebo um convite para trabalhar em outro estado. Penso seriamente em pegar a chance que está a surgir.
Já em relações familiares, estou em um período conturbado. O relacionamento com a mãe biológica se afundou e a mãe adotiva precisa de ajuda. Quero procurar uma casa para sair de onde estou e vejo que minha mãe adotiva precisa de ajuda. Porém certa ajuda pode trazer riscos. Penso em me arriscar, ficar perto da pessoa que se diz minha mãe, que considero minha mãe e que amamos um ao outro como mãe e filho. Passar 1 semana itinerante, sem vontade de ir para casa é horrível. Cada noite em uma casa diferente, dormindo em locais diferentes perto de pessoas diferentes. Estou cansando disso! A busca pela paz em um lar é uma constante em minha vida. Penso em retornar para a casa de minha mãe adotiva, estruturar a vida dela que foi destruída pela própria filha (irmã adotiva) e seguir em frente com a minha vida paralelamente, neste mesmo processo.
E o amor...Ah...O amor... Sem ele não podemos viver, não é? O amor traz vida ao corpo, mente e espírito. Amo uma pessoa mas sou uma pessoa difícil. As vezes sou metódico demais e isso prejudica. Porém acontecimentos me fizeram ser assim. No momento, hoje, sofro por um amor que temo não ser mais correspondido. Deus mostrará o caminho e saberei como agir com mais essa em minha vida. Só gostaria de ter uma companheira ao meu lado e seguir em frente, sem medo de ser feliz e sem nada que pudesse abalar o sentimento e o companheirismo. Sinto falta da pessoa que amo mas tenho a certeza que Deus me reserva coisas boas para mim.
Lendo, parece que só reclamo das coisas. Mas tenho algo muito bom para contar. Meu filho é lindo, me ama e é a inspiração para seguir em frente sem medo de ser feliz. Longe ou perto, ele é parte de tudo o que tenho nesta vida. Não adianta ter dinheiro, bens materiais e se você não tem o amor de seu filho te digo uma coisa: Você é um nada!
Lembra que falei sobre uma musica no começo deste pequeno texto? Pois bem... A letra é inspiradora e provoca reflexão. Fala a respeito do tempo que o pai nunca tinha para o filho e o filho sempre dizia que seria como ele. Acontece que o tempo passa e a vida o fez ser como seu pai. O filho não tinha mais tempo para o pai e eles viveram uma vida distantes um do outro. Não quero isso para mim, quero viver sempre por perto e fazer reinar o nosso amor de pai para filho, de filho para pai. Quero vê-lo crescer com saúde e ver que sua inteligência o levará para caminhos que serão bons para ele.
O meu “hoje” é basicamente isso! O amor, minha mãe, meu filho, meu trabalho, minha casa. Não necessariamente nesta ordem mas em conjunto, um fator ao lado do outro.
Espero somente que o amanhã seja tão melhor quanto o hoje e te falo uma coisa...SERÁ !
Sem mais, volto não com o hoje e sim com o passado para enfim falar do futuro.
Se você chegou até aqui, agradeço a atenção e siga a idéia da “terapia das letras”, te garanto que faz bem!